terça-feira, 18 de outubro de 2011

Como os pais podem contribuir para o desenvolvimento cognitivo da criança na escola?




A inteligência é um dos aspectos do funcionamento psicológico humano mais estudado pelos psicólogos em todos os tempos. Estuda-se sua estrutura, sua origem, seu desenvolvimentoao longo do ciclo vital, sua relação com o desempenho escolar, saúde, bem-estar social, criminalidade, ingestão de substâncias tóxicas, desempenho no trabalho, dentre outros. A inteligência pode ser entendida, em linhas gerais, como nossa capacidade para resolver problemas, aprender com a experiência, pensar de forma abstrata e compreender idéias complexas.
E por que tal preocupação em se entender a inteligência humana? Porque, tanto cientistas como leigos, reconhecem que a inteligência é a qualidade humana que mais se relaciona com a adaptação e a sobrevivência de nossa espécie aos desafios cotidianos cada vez maiores. Temos plena consciência disso e um dos exemplos é a maneira como nos referimos a alguém que tomou uma decisão inadequada, chamamos essa pessoa de “tonto (termo utilizado antigamente pelos especialistas da área para se referir a alguém com baixa inteligência. Hoje está em desuso.)”. A inteligência permeia todas as nossas escolhas, desde as mais simples, como decidir o que comer no almoço, até as mais complexas, como organizar as despesas da casa em função da renda mensal.
Muito embora a inteligência seja extremamente importante no nosso dia-a-dia, nem todos possuem a mesma quantidade de inteligência. Algumas pessoas pensam rapidamente e resolvem todo tipo de problema com eficiência e acuidade, se destacando em qualquer coisa que façam. Essas são as pessoas com altas habilidades intelectuais. Outras pessoas possuem dificuldades tão extremas na tomada de decisão que isso afeta toda a sua adaptação e convivência social, podemos observar dificuldades para se vestir, alimentar, aprender conteúdos escolares básicos dentre outras. Essas são pessoas que possuem deficiência mental. A maioria das pessoas, contudo, possui uma quantidade média de inteligência, que com dedicação e empenho, podem vir a fazer com que o indivíduo se destaque na escola, na profissão e na vida, em geral.
Essas diferenças intelectuais já podem ser observadas desde quando se é pequeno, e os pais sabem disso muito bem. Eles reconhecem com facilidade quando seu filho possui dificuldades cognitivas ou quando seu filho se destaca. Se tais diferenças intelectuais são observadas desde tenra idade, os pais podem fazer alguma coisa para mudar a inteligência de seus filhos?



A verdade, é que parte do nível intelectual dos filhos é herdada dos pais. Disse parte porque embora pais e filhos se pareçam bastante com relação ao seu nível intelectual, a herança genética para a inteligência não é tão simples como aquela da cor dos olhos ou da cor da pele. Milhões de genes podem ser responsáveis pela inteligência humana e a ciência ainda não conseguiu identificar exatamente quais são eles. Através de estudos de adoção e gêmeos sabe-se que cerca de 50% das diferenças intelectuais entre os indivíduos são herdadas, o que significa que numa sala de 30 alunos, o fato de alguns serem extremamente inteligentes, outros possuírem baixa inteligência e o restante, inteligência média, é 50% determinado pela genética. O restante, obviamente, fica a cargo do ambiente que compartilhamos com os nossos pais e irmãos e daquele que não compartilhamos com eles. Mas isso significa então que não se pode modificar a inteligência?
Embora a inteligência humana seja altamente estável ao longo da vida, ou seja, a ciência psicológica não conhece uma maneira de fazer com que uma criança com deficiência mental se torne um superdotado na idade adulta, o desenvolvimento intelectual pode ser potencializado por ações ambientais, tendo os pais papel essencial nisso. Sabe-se, por exemplo, que as circunstâncias ambientais possuem maior impacto no desenvolvimento intelectual nas primeiras fases da vida, inclusive maior impacto do que a genética. Assim, pois, os pais podem minimizar dificuldades intelectuais futuras oferecendo aos seus filhos uma nutrição adequada, rica em vitaminas e mineral. Estudos feitos no Chile, no Peru e na Espanha mostram que uma dieta enriquecida pode melhorar o desempenho intelectual e, como conseqüência, o desempenho escolar de crianças que passaram por situações de privação quando bebês.
Os pais podem, também, estimular o desenvolvimento de habilidades intelectuais específicas, como a habilidade verbal, o raciocínio matemático e o raciocínio espacial, através da atenção dada à esses aspectos do desenvolvimento por meio de leituras, interações verbais freqüentes, brincadeiras pedagógicas, ajuda nas tarefas de casa; e do devido interesse pelos problemas apresentados pela criança na escola. Além disso, os pais devem estar atentos às amizades dos filhos, uma vez que os grupos de amigos formados na escola, principalmente, ou fora dela, podem tanto melhorar o desempenho escolar da criança quanto fazê-lo despencar progressivamente. Contudo, perceba que ficar atento à isso não é mudar a criança de escola ou de sala dentro da mesma escola, significa monitorar a criança com cuidado, oferecendo benefícios, mas também limites. Ademais, os pais podem sempre estimular o desenvolvimento de um talento de seu filho, lembrando sempre que a criança não é passiva, ela busca maneiras e ambientes que se adéquem às suas características. Assim, uma criança que possua um talento para desenhos pode gastar a sua mesada em livros para desenho ou lápis apropriados para desenhos profissionais e os pais podem incentivar isso colocando a criança em aulas de desenho ou simplesmente valorizando essa habilidade dentro e fora de casa.
Dessa forma, embora a inteligência humana tenha um conteúdo estável, os pais sempre podem colaborar com o desenvolvimento intelectual de seus filhos oferecendo suporte adequado às habilidades manifestadas pela criança, atenção e interesse pela mesma e não negligenciar ou minimizar suas dificuldades.



BIBLIOGRAFIA:
Colom, R. (2008). Nos limites da inteligência: é o ingrediente do êxito na vida? São Paulo: Vetor Editora (Tradução Carmen Flores-Mendoza e Fernanda Maria Franco).
Flores-Mendoza, C. Colom, R. (2006). Introdução à Psicologia das Diferenças Individuais. Porto Alegre: Artmed.

Nenhum comentário:

Postar um comentário